segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Truculência da PM “respinga” em Jornalistas

*Felipe Rosa

Cristiano Castilho (jornalista da Gazeta do Povo)


O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná vem a público repudiar a ação da Polícia Militar do Paraná realizada na noite do domingo (05), na região do Largo da Ordem, em Curitiba. O 1.º Comando Regional da Capital, responsável por garantir segurança para o bloco pré-carnavalesco Garibaldis e Sacis, demonstrou despreparo e excedeu o uso da força. Por volta de 21 horas, quando o “Sacis” já havia desfilado, viaturas passaram pela região do Largo e observaram um grupo de pessoas que cantavam músicas de apologia ao uso de entorpecentes.

Segundo a versão da PM, esse grupo recebeu as viaturas com pedras e garrafas, após isso foi chamada a Ronda Ostensiva de Natureza Especial (RONE) e o batalhão de choque, que chegaram à altura da Rua Mateus Leme, na primeira quadra do Largo. O jornalista Felix Calderaro (Ó-TV), que estavam no “rescaldo” do bloco pré-carnavalesco, foi atingido pelas costas. Já Cristiano Castilho (jornalista da Gazeta do Povo), em busca de informações sobre a ação da PM, questionou alguns policiais sobre os motivos da operação (já que havia mulheres, idosos e crianças nas ruas). O policial desconsiderou a apuração e disse “estar trabalhando”. Fato não considerado em relação ao jornalista: “Eu estava filmando, me identifiquei como jornalista e levei uma cacetada no braço” – Cristiano Castilho.

Felix Calderaro foi alvejado nas costas por uma bala de borracha, quando descia em direção ao bebedouro do Largo da Ordem. Outro que foi atingido de maneira truculenta foi o radialista Sidney Alves (Banda B). Ele aproximou-se de um policial para buscar informação e recebeu uma borrifada de spray de pimenta. Já a dupla Gisele Ulbrich e Fábio Alexandre (Tribuna do Paraná), que colhiam informações sobre o tumulto, perceberam que alguém tentou abrir as portas do carro da reportagem. Então, pediram apoio a uma viatura da Guarda Municipal. Porém, os guardas, deduzindo sofrerem um ataque, saíram correndo. Em mais uma demonstração da falta de preparo dos agentes públicos de segurança em Curitiba.

O Sindijor-PR repudia a ação da PM, reforça que ela foi feita de maneira truculenta e sem a devida preparação para o contexto. Embora coronel Ademar Cunha Sobrinho e o secretário de Estado da Segurança Pública, Reinaldo de Almeida César, entendam que os agentes tenham atuado corretamente, o Sindijor-PR não vê razão para a PM agir de maneira intransigente. Mesmo que as pessoas estivessem entoando canções de apologia às drogas, é uma forma de se expressar. O Sindijor-PR se solidariza aos dois repórteres, Cristiano e Felix, que fizeram o boletim de ocorrência por conta da truculência da PM, e exige respeito aos jornalistas como agentes de informação.

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